Como fazer as pessoas confiarem em você

Livia Bello

CEO The Speaker
Muito prazer, meu nome é Lívia Bello, sou CEO e Fundadora da The Speaker, uma empresa que é referência em comunicação e oratória no Brasil.

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Como fazer as pessoas confiarem em você

As pessoas confiam quando percebem clareza, competência e calor humano alinhados por consistência. Em termos práticos, a sua confiança percebida nasce de cinco pilares: o que você diz (mensagem clara), como você diz (voz, postura, ritmo), o que você faz (coerência entre promessas e entregas), como você ouve (escuta ativa) e como você lida com limites (transparência sobre o que sabe e o que ainda vai checar). Neste artigo, eu, Lívia Bello, fundadora da The Speaker, organizo um passo a passo para discursos, conversas, apresentações e entrevistas — com técnicas, roteiros, exercícios e checklists que você pode aplicar hoje.

A fórmula prática da confiança: calor + competência + coerência

Confiança não é carisma misterioso. É uma leitura rápida que o outro faz de você:

Calor
Sinais de respeito, empatia e intenção positiva (o “estou com você”).
Mostre-se acessível: olhar que inclui, sorriso discreto, linguagem de acolhimento.

Competência
Sinais de domínio do tema e capacidade de execução (o “sei do que estou falando”).
Demonstre com estrutura, exemplos, números realistas, histórico de entregas.

Coerência
Sinais de consistência entre discurso e ação (o “faço o que digo”).
Seja transparente sobre prazos, riscos e condições. Prometa pouco, entregue bem.

Quando esses três elementos aparecem ao mesmo tempo, a confiança acelera. Se faltar um, o público sente: só calor sem competência vira simpatia sem decisão; só competência sem calor vira distância; qualquer um dos dois sem coerência vira desconfiança.

Os primeiros 60 segundos que definem tudo

Você não tem uma segunda chance de fazer uma primeira leitura confiável. Use este protocolo:

Frase-âncora de abertura
Diga em até 12 palavras o objetivo do encontro.
Ex.: “Nosso foco hoje é decidir o plano de implantação em duas etapas.”

Postura e olhar
Eixo alinhado, queixo paralelo ao chão, ombros soltos. No on-line, olhe a lente, não a sua imagem.

Voz com presença
Respire, inicie com ataque limpo (sem “ééé”), mantenha final de frase forte.

Mapa do encontro
“Como vamos conduzir: contexto em dois minutos, proposta em três, decisão e próximos passos.”

Atenção: a clareza do como será conduzida a conversa reduz ansiedade e faz o outro relaxar na sua condução.

Estrutura que transmite confiança: diga o que, por que, como e o próximo passo

A maneira mais rápida de soar confiável é organizar o raciocínio. Use o “4 blocos”:

O que
Nomeie o tema ou pedido.
“Precisamos escolher a ordem de implantação.”

Por que
Conecte ao impacto real.
“Isso reduz retrabalho e preserva o prazo do cliente.”

Como
Apresente duas ou três opções com pro e contra.
“Caminho A: mais rápido, risco X. Caminho B: mais robusto, prazo Y.”

Próximo passo
Verbo + prazo + responsável.
“Decidimos agora e eu envio o plano consolidado às 18h.”

Essa estrutura serve para respostas, apresentações e entrevistas.

Voz e corpo: a confiança que se ouve e se vê

A mesma frase pode soar confiante ou insegura dependendo do instrumento:

Respiração
Use a respiração costal-lateral (costelas expandem para os lados). Falar sem ar encurta frase e baixa o volume no fim.

Ritmo
Evite “metralhadora” e “arrastar”. Varie cadência: mais lenta nos diagnósticos, média nas explicações, firme nos pedidos.

Projeção
Projete sem gritar. Pense a voz “indo à frente” com ressonância frontal (vibração em lábios e maçã do rosto).

Dicção
Articule vogais com clareza. Final de frase nítido comunica segurança.

Postura
Eixo neutro, pés estáveis, esterno “acordado” (sem empinar). Mãos visíveis e gestos que servem a frase (moldura, contagem, pinça).

Exercício de 60 segundos antes de falar
Trinado de lábios por 10 segundos
“Hmm” vibrando na máscara por 10 segundos
Respiração 4-2-6 duas vezes
Dizer a frase-âncora olhando para a lente ou para a última fileira

Linguagem que inspira confiança: palavras e escolhas que ajudam

Palavras são atalhos cognitivos. Algumas diminuem atrito:

Clareza
“Direto ao ponto”, “na prática”, “em dois passos”, “resumindo”.

Confiança
“Dados”, “evidência”, “caso”, “métrica”, “histórico”.

Condição segura
“Desde que”, “contanto que”, “com contingência”, “critério”.

Convite à decisão
“Vamos decidir?”, “prefere A ou B?”, “confirme”, “agende”, “priorize”.

Evite diluidores quando for fazer pedido
“Talvez”, “acho”, “de repente”, “quem sabe”, “seria legal”.
Troca útil: “Proponho”, “precisamos”, “o melhor é”, “minha avaliação”.

Exemplos
Proponho piloto de duas semanas, desde que validemos integração até quarta.”
Resumindo: dois caminhos. Prefere rapidez com risco X ou robustez com prazo Y?”

Transparência que não enfraquece: como dizer “não sei” e crescer confiança

Confiança aumenta quando você dá limites claros:

Como responder quando não sabe
“Não tenho a métrica atualizada neste momento. Compromisso: verifico com o time e envio até as 17h. Se não fecharmos hoje, alinhamos o plano amanhã às 9h.”

Como falar de risco
“Há risco nesta etapa específica. Mitigamos com plano B e janela de rollback de 30 minutos.”

Como corrigir rota
“Eu disse X na semana passada e, com os dados novos, ajusto para Y. Obrigado por levantar; isso nos protege.”

A honestidade com compromisso concreto projeta confiabilidade bem mais do que improvisar uma resposta.

Escuta ativa: a metade invisível da confiança

Gente confia em quem ouve. Práticas simples:

Parafraseie curto
“Se entendi, o ponto central é a curva de aprendizado na semana 1, certo?”

Perguntas de diagnóstico
“O que seria sucesso para você em 30 dias?”
“O que te deixaria confortável para aprovar hoje?”

Espaço para resposta
Pausa após pergunta. Não complete a frase do outro.

Confirme a ação que veio do outro
“Combinamos assim: você valida com o jurídico e eu envio o plano às 18h.”

A escuta ativa mostra respeito e reduz mal-entendido — duas bases da confiança.

Prova e exemplos: transforme afirmações em evidências

Afirmações convencem pouco; demonstrações e exemplos específicos convencem mais:

Dados
“Nos últimos três sprints, o SLA foi de 92% para 97%.”

Caso
“Em projeto semelhante, a fila inteligente cortou 18% do tempo de resposta.”

Demostração
“Deixa eu te mostrar em 30 segundos o fluxo com e sem a etapa nova.”

Especificidade (números e prazos realistas) transmite controle. Evite “sempre” e “nunca”. Prefira intervalos (“entre 10% e 15%”).

O roteiro de apresentação que sustenta confiança

Use este esqueleto em talks e reuniões:

Abertura
Frase-âncora e mapa do encontro.

Contexto curto
Por que estamos aqui e o que mudou.

Proposta em blocos
Até três alavancas, cada uma com “o que”, “por que”, “como”, “risco/mitigação”.

Prova
Dados, case, demonstração.

Pedido
Decisão clara com prazo e responsável.

Q&A organizado
“Três perguntas e decidimos. Se houver pendência, saímos com dono e prazo.”

Fecho
Resumo em uma frase e próximos passos.

O roteiro diz: “eu sei aonde vamos e como chegamos lá”.

Conversas um a um: proximidade que vira confiança

Em interações individuais, pequenos gestos valem ouro:

Presença
Guarde o celular, ajuste o corpo na direção da pessoa.

Nome
Chame pelo nome (sem excesso). Personaliza e sinaliza atenção.

Latência
Não responda instantaneamente a perguntas complexas. Pausa é sinal de respeito ao tema.

Angulação
Inclinação leve de tronco ao ouvir; retorne ao neutro para falar.

Formato de pergunta
Prefira “como você vê…?” a “você concorda…?”, que pressiona a resposta binária.

Clareza de saída
Feche com “o que eu faço” e “o que você faz” — reduz retrabalho.

Entrevistas: confiança sob avaliação

Você precisa projetar idoneidade e capacidade de entrega. Use o método STAR/ CAR (Situação/Tarefa – Ação – Resultado):

Respostas com estrutura
“Contexto: prazo curto e backlog. Minha ação: priorização com critério X e ritual de 15 minutos. Resultado: entregamos 12% mais em duas semanas.”

Admitindo falhas
“Errei ao subestimar a curva de aprendizado. Ajustei com treinamento express e criei checklist para não repetir.”

Perguntas ao entrevistador (confiança também pergunta)
“Qual métrica define sucesso nos três primeiros meses?”
“Que comportamento vocês valorizam quando algo sai do previsto?”

Fecho com compromisso
“Se avançarmos, preparo um plano de 30-60-90 dias com critérios de sucesso.”

Q&A e objeções: ganhar confiança quando o jogo fica difícil

Quando vem uma objeção, responda em quatro passos:

Reconheça
“Faz sentido a preocupação.”

Delimite
“O risco está nesta etapa, não no processo todo.”

Condição
Seguro avançar desde que validemos com o time de segurança.”

Compromisso
“Eu saio com o dono e entrego a validação amanhã às 10h.”

Evite “lutar com a pergunta”. Trate o medo de quem pergunta como informação valiosa.

Linguagem de fechamento: como pedir sem soar impositivo

Fechar é onde muita confiança se perde por hesitação. Use verbos fortes, com cordialidade:

Vamos decidir agora a ordem das entregas?”
Prefere começar pelo piloto ou pela documentação?”
Confirme até as 17h e agendo a kick-off para amanhã.”

Se o contexto exigir suavidade, adicione acolhimento sem perder direção:
Entendo o ponto e proponho começarmos pelo piloto de duas semanas.”

Online vs. presencial: ajustes que preservam confiança

Ambiente virtual rouba energia e sutilezas. Compense:

Olhar
Fixe a lente em momentos de ênfase. A imagem do próprio rosto te distrai e passa “olhar perdido”.

Voz
Fale 10% mais devagar e com finais de frase bem articulados.

Transições
Marque blocos: “fecho este ponto… entro no próximo… concluo com o pedido.”

Gestos
Mantenha mãos no quadro (até o peito). Gestos fora da câmera criam ruído.

Chat
Combine uso: “Perguntas no chat, eu paro a cada bloco.” Organiza e transmite comando.

Presencial, use o espaço: caminhar com intenção entre blocos, parar para ênfase, proximidade para perguntas.

Scripts prontos para usar em diferentes cenários

Abertura de reunião executiva
“Direto ao ponto: três decisões para manter prazo e reduzir retrabalho. Estrutura: contexto em dois minutos, proposta em cinco, decisão e próximos passos.”

Pedido com condição
“Proponho aprovar o piloto hoje, desde que validemos segurança até quarta. Eu fico dono dessa validação.”

Cliente apreensivo
“Entendo a preocupação. O risco está no pico de uso. Mitigamos com contingência de 48 horas e rollback em 30 minutos.”

Fechamento com CTA
“Resumo em uma frase: duas alavancas, um piloto. Próximo passo: você confirma até 17h, eu envio o plano às 18h.”

Entrevista: fraqueza sem auto-sabotagem
“Um ponto que melhorei: tendência a mergulhar demais no detalhe. Resolvi com rituais de síntese e checkpoints com o time. O resultado: mais clareza e prazos cumpridos.”

Exercícios diários para construir confiança de forma prática

Tríade de 3 minutos
1 minuto de respiração 4-2-6
1 minuto de “hmm” na máscara
1 minuto de frase-âncora + pedido olhando para a lente

Reescrita sem hedges
Pegue um e-mail e troque “talvez/seria bom/acho” por “proponho/precisamos/o melhor é”.

Síntese de 90 segundos
Explique um tema com “o que”, “por que”, “como”, “próximo passo” em 90 segundos.

Diário de compromissos
Registre promessas e prazos feitos. Entregue antes. Confiança acumulada é reputação.

Escuta com parafrase
Em toda reunião, parafraseie ao menos um ponto antes de responder.

Checklists rápidos (antes, durante, depois)

Antes
Frase-âncora pronta
Mapa do encontro (blocos)
Dados e exemplos específicos à mão
Condição de segurança (se necessário)
Respiração + voz aquecidas

Durante
Olhar que inclui (lente/pessoas)
Ritmo variado e pausas
Paráfrase e perguntas de diagnóstico
Final de frase forte
Pedido claro

Depois
Resumo em uma frase
Próximos passos com dono e prazo
Registro enviado (e-mail/ata)
Entrega do que foi prometido

Erros que corroem confiança — e como corrigir

Prometer demais
Tente: prometa o que você controla; o resto, condicione.

Evitar números
Tente: use intervalos e “desde que”.

“Ganhar” pela falação
Tente: cortes de síntese e pausas. O silêncio confiante é eloquente.

Fazer pedido tímido
Tente: verbo de ação + benefício + prazo. “Aprove hoje para manter cronograma.”

Esconder dúvida
Tente: “Não tenho essa informação agora. Compromisso: envio até X.”

Estudos de caso (curtos e aplicáveis)

Time técnico ótimo, baixa confiança do negócio
Sinais: jargão, explicações longas, pedidos difusos.
Intervenção: roteiro “o que/por que/como/risco/CTA”, números realistas e pedidos com prazo.
Resultado: decisões 30% mais rápidas e percepção de “clareza” em NPS interno.

Gestor competente, leitura de frieza
Sinais: voz plana, ausência de acolhimento.
Intervenção: abrir com reconhecimento e intenção (“entendo, vamos…”), variar cadência e olhar.
Resultado: adesão do time aumentou e conflitos reduziram.

Vendedor bom de relacionamento, falta de fechamento
Sinais: muito calor, pouco pedido.
Intervenção: CTAs claros e alternativos (A ou B), urgência legítima (“janela até sexta”).
Resultado: ciclo de vendas encurtou e taxa de “próximo passo” subiu.

Como pedir desculpas de um jeito que aumenta confiança

Quando errar, siga o RAR (Reconhecer–Assumir–Reparar):

Reconhecer
“Você tem razão — não entregamos no prazo combinado.”

Assumir
“Eu sou responsável por coordenar essa entrega.”

Reparar
“Plano: hoje às 18h envio o cronograma ajustado; amanhã, checkpoint às 9h. Se preferir, ofereço suporte extra nesta semana.”

Evite justificativas. A reparação ativa reergue confiança.

Cultura e contexto: adapte sem perder essência

Confiança se constrói respeitando o contexto: setor, cultura organizacional, momento do projeto. Ajuste:

Formalidade
Do “proponho” ao “minha recomendação é”, sem perder clareza.

Velocidade
Ambientes executivos pedem síntese; ambientes técnicos, mais detalhe (com trilho claro).

Risco
Algumas culturas valorizam ousadia; outras, previsibilidade. Nomeie critérios para não virar opinião contra opinião.

Plano de 30 dias para se tornar uma referência confiável

Semana 1 — Clareza
Frases-âncora diárias (um tema por dia).
Treino de 90 segundos com o roteiro “o que/por que/como/CTA”.
Reescrita de e-mails sem hedges.

Semana 2 — Presença
Aquecimento vocal diário (3 minutos).
Final de frase forte e pausas.
Postura com eixo e gestos que servem a mensagem.

Semana 3 — Consistência
Diário de promessas e entregas.
Registro de próximos passos em toda reunião.
Follow-up proativo (antes do prazo).

Semana 4 — Prova e escuta
Inclua um dado, um caso e uma demonstração por apresentação.
Parafrase e perguntas de diagnóstico em toda conversa importante.
Feedback de um colega sobre percepção de confiança.

Meta contínua: entregar um pouco mais do que prometeu e explicar um pouco menos do que gostaria — clareza vence excesso.

Perguntas frequentes

“Se eu for tímido, consigo projetar confiança?”
Sim. Confiança não exige expansividade; exige clareza, presença e consistência. Fale curto, pause, peça com verbo claro e entregue no prazo.

“Preciso sempre ter números?”
Tenha o que for relevante. Quando não tiver, declare o plano para obter e o prazo. Especificidade importa mais que abundância.

“Como lidar com alguém cético?”
Reconheça o critério do cético (“você valoriza risco”), traga evidência específica, ofereça condição (“desde que”), proponha um piloto pequeno.

“E se me interrompem muito?”
Olhar firme, gesto de “um segundo”, “eu concluo em dez segundos e te passo”. Conclua de verdade e entregue a palavra.

“Como fechar sem parecer autoritário?”
Combine acolhimento + direção: “Entendo o ponto, e proponho começarmos pelo piloto. Preferem A ou B?”

Conclusão: confiança é um hábito comunicativo

Confiança é consequência de comunicação bem desenhada: você mostra que entende o problema, explica por que importa, propõe um caminho com condições seguras, ouve de verdade, pede com clareza e cumpre o que promete. Isso se aprende e se pratica. No seu próximo discurso, conversa, apresentação ou entrevista, experimente o mínimo viável:

Abra com uma frase-âncora e o mapa do encontro
Respire, varie o ritmo e termine as frases com nitidez
Use o roteiro “o que/por que/como/CTA”
Traga um dado, um exemplo e uma condição de segurança
Peça com verbo forte e prazo
Registre e entregue

A cada encontro, um ponto de confiança. Em pouco tempo, você não apenas parecerá confiável — você será, porque suas escolhas de linguagem, presença e consistência vão construir essa reputação, conversa após conversa, entrega após entrega.

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